martes, 26 de agosto de 2014

"Noite de Saudade", de Florbela Espanca ("Livro de Mágoas", 1919)

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!

FLORBELA ESPANCA (De Livro de Mágoas, 1919)




NOCHE DE NOSTALGIA

La Noche poco a poco va a posar
En la Tierra, que inunda de amargura...
Ni la luz de la luna al consagrar
La quiso hacer divinamente pura...

Nadie viene tras ella a acompañar
Su dolor que está lleno de tortura...
¡Oigo a la Noche inmensa sollozar!
¡Oigo siempre llorar la Noche oscura!

¿Por qué estás tan oscura, así de triste?
¡Es que, tal vez, oh Noche, en ti existe
igual Nostalgia a la que yo contengo!

Nostalgia que no sé de donde irradie...
¡Tal vez de ti, oh Noche!... ¡O de nadie!...
¡Que nunca sé quién soy, ni lo que tengo!

FLORBELA ESPANCA (De Livro de Mágoas, 1919)
(Versión de Pedro Casas Serra)

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