martes, 31 de enero de 2012

"De Lua e de Estrelas" de Maria Lua

De Lua e de Estrelas
é que eu entendo...

Meus olhos refletem
o mistério contido
na eterna pergunta
de Antares...
Meu rosto revela
o delírio escondido
nas formas instáveis
da Lua...

De Lua e de Estrelas
é que eu entendo...

Meus braços
se alongam no infinito
e abraçam a beleza sensual
de Aldebarã...
Meus lábios
imitam sons distantes
e imploram o sonho impossível
à Estrela Cadente...

De Lua e de Estrelas
é que eu entendo...

Meu coração apaixonado
- viajante menino –
brincando
entre os anéis de Saturno
renasce Amor
sob a divina proteção
de Júpiter...

De Lua e de Estrelas
é que eu entendo...

Meu corpo
se oculta no silêncio
prisioneiro
dos desejos telúricos
de Vênus
Minha alma vai fugindo
insatisfeita
sob a magia
do poema inatingível
de Netuno...

De Lua e de Estrelas
é que eu entendo...

Maria Lua




De Luna y de Estrellas


De Luna y de Estrellas
yo entiendo...

Mis ojos reflejan
el misterio contenido
en la eterna pregunta
de Antares...
Mi rostro revela
el delírio escondido
en las formas inestables
de la Luna...

De Luna y de Estrellas
yo entiendo...

Mis brazos
se alargan en el infinito
y abrazan la belleza sensual
de Aldebarán...
Mis labios
imitan sonidos distantes
e imploran el sueño imposíble
a la Estrella Fugaz...

De Luna y de Estrellas
yo entiendo...

Mi corazón apasionado
-niño viajero –
jugando
entre los anillos de Saturno
renace Amor
bajo la divina protección
de Júpiter...

De Luna y de Estrellas
yo entiendo...

Mi cuerpo
se oculta en el silencio
prisionero
de los deseos telúricos
de Venus
Mi alma va huyendo
insatisfecha
bajo la magia
del poema inalcanzable
de Neptuno...

De Luna y de Estrellas
yo entiendo...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

lunes, 30 de enero de 2012

"Meus versos" de Maria Lua

Meus versos explodem limites
desafiam desesperos e desencantos
e em alquimia de estrelas cadentes
deslizam em cascatas de miragens
sem muros... sem rédeas... sem remos...

Meus versos
vestem fantasias de inquietudes
festejam incertezas de auroras e de ocasos
decifram rochas de silêncio
nos mistérios... nos segredos... nos milagres...

Cada verso que escrevo me rasga as veias
atravessa mil solidões
além dos nadas do mundo
alcança o arco-íris dos delírios
para fazer morada nos corações sensíveis...

Minha Poesia é feita de dor e de luz
de paz e de agonia...
É barro moldado nas olarias dos sortilégios
raio em nuvem de tempestade
delícia nas curvas das alucinações
contemplação e êxtase...
É sal... sangue... suor...lágrimas
mel e encantamento...
É céu e inferno
mas é verdade... sempre...

Minha Poesia fala baixinho
abraçada aos ipês amarelos da primavera
às açucenas da beira do rio
às pedras que rolam nos abismos
aos sabiás que encantam as estradas
e tem raízes no fundo da alma...

Minha Poesia é simples como a água da fonte
complicada como o gesto de despedida
clara como um raio de Sol na vidraça
misteriosa como o fascínio da Lua...

Minha Poesia... sou eu...

Maria Lua. Do livro "De Lua e de Estrelas..."



Mis versos

Mis versos explotan límites
desafían desesperos y desencantos
y en alquimia de estrellas fugaces
se deslizan en cascada de espejismos
sin muros... sin riendas... sin remos...

Mis versos
visten fantasías de inquietudes
festejan incertidumbres de auroras y de ocasos
descifran rocas de silencio
en los misterios... en los secretos... en los milagros...
Cada verso que escribo me rasga las venas
atraviesa mil soledades
más allá de las nadas de este mundo
alcanza el arcoíris de los delirios
para habitar en los corazones sensibles...

Mi Poesía está hecha de dolor y de luz
de paz y de agonía...
Es barro moldeado en alfarerías de sortilegios
rayo en nube de tempestad
delicia en curvas de alucinaciones
contemplación y éxtasis...
Es sal... sangre... sudor...lágrimas
miel y encantamiento...
Es cielo e infierno
pero es verdad... siempre...

Mi Poesía habla bajito
abrazada a los lapachos amarillos de primavera
a las azucenas de la orilla del río
a las piedras que ruedan los abismos
a los tordos que encantan los caminos
y tiene raíces en el fondo del alma...

Mi Poesía es simple como el agua de la fuente
complicada como el gesto de despedida
clara como un rayo de Sol en la vidriera
misteriosa como la fascinación de la Luna...

Mi Poesía... soy yo...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

domingo, 29 de enero de 2012

"Renascimento" de Maria Lua

Absurdos rastros
de obscuros romances
são absorvidos
por rígidos obstáculos...
E me observo resignada
ao destino adverso
absorta na renúncia
submissa
à ríspida dissolução
do sonho...
E me obrigo
à isenta abstinência
do ritual inútil
das lágrimas...
Já fiz revoar
a sombra de uma paixão
indestrutível e rota
ao refúgio exato
-o coração...

Agora me admiro
receptiva
ao reflorescimento da luz
antes de submergir
nos ondulantes abismos
do caos...
E me adivinho
límpida e refeita
na busca obstinada
do Amor...

Maria Lua



Renacimento

Absurdos rastros
de oscuros romances
son absorvidos
por rígidos obstáculos...
Y me observo resignada
al destino adverso
absorta en la renúncia
sumisa
en la áspera disolución
del sueño...
Y me obligo
a la libre abstinencia
del ritual inútil
de las lágrimas...
Ya volví a hacer volar
la sombra de una pasión
indestructible y rota
a su refugio exacto
-el corazón...

Ahora me admiro
receptiva
al reflorecimiento de la luz
antes de sumergirme
en los ondulantes abismos
del caos...
Y me adivino
límpida y renacida
en la busca obstinada
del Amor...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

sábado, 28 de enero de 2012

"Mulher-Lua" de Maria Lua

Não queiras invadir minha Solidão
que tenho sede de ausência
e sou feliz na distância
se estou em paz no silêncio
da Noite...

Eu não preciso do som de tuas palavras:
tenho uma orquestra de ondas
que arrebentam nas pedras...

Eu não preciso do afago de tuas mãos:
a carícia do vento
toca meu rosto
e me arrepia...

Eu não preciso da luz de teus olhos:
o brilho das estrelas
jorra em meu caminho
e me faz cintilar...

Não queiras invadir minha Solidão
eu sou MULHER-LUA
EREMITA e POETA...

Maria Lua Del libro "De Lua e de Estrelas..."



Mujer-Luna

No quieras invadir mi Soledad
que tengo sed de ausencia
y soy feliz en la distancia
si estoy en paz en el silencio
de la Noche...

Yo no preciso del sonido de tus palabras:
tengo una orquesta de olas
que rompen en las piedras...

Yo no preciso de la ternura de tus manos:
la caricia del viento
toca mi rostro
y me eriza...

Yo no preciso de la luz de tus ojos:
el brillo de las estrellas
se derrama en mi camino
y me hace titilar...

No quieras invadir mi Soledad
yo soy MUJER-LUNA
EREMITA y POETA...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

viernes, 27 de enero de 2012

"Corpo e alma" de Maria Lua

Meu corpo se desfez das desventuras
que a sorte, por azar, lhe destinou...
E a mente se perdeu nas amarguras
de culpas e de medos que juntou...

Minha alma, no delírio das procuras,
as asas do silêncio retomou...
E, em vôos de renúncias e loucuras,
as nuvens de desejos desprezou...

Meu corpo se alucina em seu espanto,
em busca de uma paz sem desencanto,
nas trilhas das estrelas do nascente...

Minha alma, na penumbra do universo,
fareja sortilégios para um verso
escrito nas distâncias do Poente!...

Maria Lua (“De Lua e de Estrelas...”, 2005)



Cuerpo y alma

Mi cuerpo olvida tantas desventuras
que el azar de la vida le dejó...
La mente se perdió en las amarguras
de culpas y de miedos que juntó.

Mi alma, en los delírios de procuras,
las alas del silencio retomó...
Y en vuelos de renuncias y locuras
las nubes de deseos despreció.

Mi cuerpo se alucina en propio espanto
en busca de una paz sin desencanto,
en caminos de estrellas del naciente...

Mi alma, en el revés del universo,
diseña sortilegios para un verso
escrito en las distancias del poniente!

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

miércoles, 25 de enero de 2012

"Destino Poesía" de Maria Lua

Vim nos desrumos do Destino
nos braços da Lua Cigana
num manto trançado de nuvens e de lonjuras
em berço bordado de mistérios... de milagres... de miragens
para ser Poeta...
O Anjo estendeu uma esteira de estrelas errantes
na Noite de minha chegada...
O Mago transmutou em meu Coração
o latejar de dores e de desencantos em preciosos poemas...
O Eremita revelou-me a magia do Caminho
de infinitas solidões...
O Louco deixou-me nas curvas de um rio cantante
alargando as margens dos sonhos...

Da passagem pelo planeta
meu corpo transgride os limites das invenções dos homens
-profissões... rotinas... leis-
e se reveste de asas e de espantos...
Por ser Poeta
minha alma peregrina transcende estreitos espaços estáticos
e se faz albatros além-angústias em vôos visionários...
Nenhuma moeda do mundo paga
nenhum ritual de rotina pacifica
nenhum corriente aprisiona
verdades que vibram em meus versos
-sendas de sofrimentos serenizados
desencontros de desamores amados
loucuras em luares lúcidos
florações de incendidos ipês...

Luas andarilhas de calendários siderais
enfeitiçam o meu Caminho de Poeta
desnudando-me fases e faces
-alquimista de emoções
escultor de auroras e de ocasos
encantador de desencantos
emissário de Dionisos e de Poseidon...
Morte e Vida na Alma
Caos e Céu no Caminho...
Destino Poesia...

Maria Lua



Destino Poesía

Vine en las desorientaciones del Destino
en los brazos de la Luna Gitana
en un manto trenzado de nubes y de lejanías
en una cuna bordada de misterios... de milagros... de espejismos
para ser Poeta...
El Ángel tendió una estela de estrellas errantes
la Noche de mi llegada...
El Mago transmutó en mi Corazón
el palpitar de penas y desencantos en preciosos poemas...
El Ermitaño me reveló la magia del Camino
de infinitas soledades...
El Loco me dejó en los recodos de un río cantor
ensanchando los márgenes de los sueños...

De paso por el planeta
mi cuerpo transgrede los límites de las invenciones de los hombres
-profesiones... rutinas... leyes-
y se reviste de alas y de espantos...
Por ser Poeta
mi alma peregrina trasciende los estrechos espacios estáticos
y se hace albatros más allá de las angustias en vuelos visionarios...
Ninguna dinero del mundo paga
ningún ritual de rutina amansa
ninguna corriente aprisiona
las verdades que vibran en mis versos
-sendas de sufrimientos serenados
desencuentros de desamores amados
locuras en noches de luna lúcidas
floraciones de encendidos ipês...

Lunas andarinas de calendarios siderales
hechizan mi Camino de Poeta
desnudandome fases y faces
-alquimista de emociones
escultor de auroras y de ocasos
encantador de desencantos
emisario de Dionisos y de Poseidón...
Muerte y Vida en el Alma
Caos y Cielo en el Camino...
Destino Poesía...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

martes, 24 de enero de 2012

"Imobilidade" de Maria Lua

Deixa-me navegar nos mares de teus silêncios...
Segredos abissais emudecem auroras
aprisionam sonhos
encobrem saudades...

Na mudez atônita dos teus lábios
escondem-se esboços de murmúrios...
Na surdez longínqua de teus ouvidos
atropelam-se presságios de convites...
Na imobilidade cálida de tuas mãos
esvaem-se silhuetas de carícias...

Deixa-me desbravar as trilhas de teus mistérios...
Lembranças ancestrais revelam ocasos
libertam emoções
desvendam medos...

Na claridade absurda de teus olhos
incendeiam-se loucuras...
No enigma obscuro de teu rosto
enraízam-se desejos...
Na inquietude serena de teus braços
reinventam-se os abraços...

Deixa-me sonhar às margens de tua ausência...
Lentos rituais renovam delírios
imobilizam gestos
transfiguram a Solidão...
Maria Lua



Inmovilidad

Déjame navegar en los mares de tus silencios...
Secretos abisales enmudecen auroras
aprisionan sueños
encubren nostalgias...

En la mudez atónita de tus labios
se esconden esbozos de murmullos...
En la sordera distante de tus oídos
se atropellan presagios de invitaciones...
En la inmovilidad cálida de tus manos
se insinuan siluetas de caricias...

Déjame explorar las sendas de tus misterios...
Recuerdos ancestrales revelan ocasos
liberan emociones
revelan miedos...

En la claridad absurda de tus ojos
se encienden locuras...
En el enigma oscuro de tu rostro
se enraízan deseos...
En la inquietud serena de tus brazos
se reinventan los abrazos...

Déjame soñar a orillas de tu ausencia...
Lentos rituales renuevan delirios
imobilizan gestos
transfiguran la Soledad...
Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

lunes, 23 de enero de 2012

"Vôos longínquos" de Maria Lua

Beijando o rosto das folhas
belo é o vôo inquieto das borboletas...
Sugando o mel das flores
belo é o vôo obreiro das abelhas...
Acima das árvores da primavera
belo é vôo encantado dos pássaros...
Mas tenho fome de distâncias ... sede de aventuras
e asas feitas para infinitos...
Meu vôos não cabem nos limites das primaveras floridas
nos espaços cercados de regras e de leis...
Meus vôos farejam alucinações e deslumbramentos
além dos olhares dos condores... das águias... dos albatrozes...
Meus vôos ultrapassam nuvens e galáxias
longe das fronteiras e das cercas...
Meus vôos brotam em versos
sem regras e sem preconceitos
de um claro poema de desvarios...
Meus versos falam a linguagem das almas
e só pelas almas será entendido...
Meus versos arrebentam
os arames farpados da mente
as grades das gaiolas das lágrimas
as algemas dos cativeiros das palavras
e simplemente voam...
Para que entendas os vôos de meus versos
é preciso que tenhas te ferido
na agonia dos amores desamados
no desencanto do sonho desperdiçado
nos desacertos do destino...
É preciso que te banhes na frágil claridade da Lua
que bebas das águas de um rio cantante
que saibas conquistar oceanos sem máscaras e sem nadadeiras...
Meus versos florescem em poemas
refletidos dos espelhos d'água de fundos mistérios
sempre com o inconfundível sabor do delírio
as asas das miragens dos sonhos impossíveis
o sangue ardente de minhas veias aflitas
a solidão definitiva de meu coração incompreendido
e o vôo fascinante de minha luminosa alma insone...
Se tuas asas foram feitas apenas para vôos rasantes
não comprenderás os vôos longínquos de minha alma
nem decifrarás os segredos de meus versos...

Maria Lua



Vuelos remotos

Besando el rostro de las hojas
bello es el vuelo inquieto de las mariposas...
Libando la miel de las flores
bello es el vuelo obrero de las abejas...
Por encima de los árboles de la primavera
bello es el vuelo encantado de los pájaros...
Pero tengo hambre de distáncias ... sed de aventuras
y alas hechas para infinitos...
Mis vuelos no caben en los límites de las primaveras floridas
en los espacios cercados por reglas y por leyes...
Mis vuelos rastrean alucinaciones y deslumbramientos
más allá de la mirada de los cóndores... de las águilas... de los albatros...
Mis vuelos traspasan nubes y galáxias
lejos de las fronteras y de los vallados...
Mis vuelos brotan en versos
sin reglas y sin prejuicios
de un claro poema de desvaríos...
Mis versos hablan el lenguage de las almas
y sólo por las almas será entendido...
Mis versos revientan
las alambradas de la mente
los barrotes de las prisiones de las lagrimas
las cadenas de los cautiverios de las palabras
y simplemente vuelan...
Para que entiendas los vuelos de mis versos
es preciso que te hayas herido
en la agonía de los amores sin amor
en el desencanto del sueño desperdiciado
en los desaciertos del destino...
Es preciso que te bañes en la frágil claridad de la Luna
que bebas de las aguas de un rio cantarín
que sepas conquistar océanos sin gafas y sin aletas...
Mis versos florecen en poemas
reflejados por los espejos de agua de hondos misterios
siempre con el inconfundible sabor del delirio
las alas de las ilusiones de los sueños imposibles
la sangre ardiente de mis venas afligidas
la soledad definitiva de mi corazón incomprendido
y el vuelo fascinante de mi luminosa alma insomne...
Si tus alas fueron hechas sólo para vuelos rasantes
no comprenderás los vuelos remotos de mi alma
ni descifrarás los secretos de mis versos...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

sábado, 21 de enero de 2012

"Verdes montanhas de pedra" de Maria Lua

As verdes montanhas de pedra
deste vale no meio da serra
possuem o estranho poder
o exato visgo verde
o raro ímã cinzento
do incrível aprisionamento
de corpos sempre indecisos
que guardam almas viajantes
e corações solitários...

As verdes montanhas de pedra
acorrentam passos em descaminhos
e encarceram a aflição dos corpos
corpos adormecidos e imóveis
presos nas teias do vale
do vale escondido na serra
a serra fria e nublada
das verdes montanhas de pedra...

As verdes montanhas de pedra
atam duramente os sonhos
sonhos escritos nas nuvens
nuvens distantes e instáveis
que se desfazem na chuva
dissolvendo um a um os sonhos
sonhos lindos e frágeis
que se quebram pouco a pouco
nas curvas sensuais e volúveis
das verdes montanhas de pedra...

As verdes montanhas de pedra
têm o poder do aprisionamento
o visgo verde da imobilidade
e o ímã cinzento da agonia...
E os corpos... revirando clara inquietude
se enredam nos passos sem rumo pelo vale...
E as almas... cheias de angústia
se deitam pálidas
sob a longa solidão
de noites sem Lua e sem estrelas...

Maria Lua



Verdes montañas de piedra

Las verdes montañas de piedra
de este valle en medio de la sierra
poseen el extraño poder
el exacto verde-musgo
el raro gris-ímán
del increible apresamiento
de cuerpos siempre indecisos
que guardan almas viajeras
y corazones solitarios...

Las verdes montañas de piedra
encadenan pasos en descaminos
y encarcelan la aflicción de los cuerpos
cuerpos dormidos e inmóviles
presos en las telas de araña del valle
del valle escondido en la sierra
la sierra fría y nublada
de las verdes montañas de piedra...

Las verdes montañas de piedra
atan duramente los sueños
sueños escritos en las nubes
nubes distantes e inestables
que se deshacen en la lluvia
disolviendo uno a uno los sueños
sueños lindos y frágiles
que se quiebran poco a poco
en las curvas sensuales y volubles
de las verdes montañas de piedra...

Las verdes montañas de piedra
tienen el poder del apresamiento
el verde-musgo de la inmovilidad
y el gris-imán de la agonía...
Y los cuerpos... cambiando con clara inquietud
se enredan en pasos sin rumbo por el valle...
Y las almas... llenas de angustia
se acuestan pálidas
bajo la larga soledad
de las noches sin Luna y sin estrellas...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

jueves, 19 de enero de 2012

"Trânsito de Saturno" de Maria Lua

Escrevo... porque não durmo
neste trânsito de Saturno...
Escrevo e me descrevo
pastora de estrelas tardias
e de esperanças vadias
a caminho de Marte
que vai passando em Leão...

Escrevo... porque não durmo
neste trânsito de Saturno...
Escrevo e me inscrevo
no rol dos fantasmas insones
e dos rebeldes sem nome
que desenham versos escuros
na trilha dos vaga-lumes...

Escrevo... porque não durmo
neste trânsito de Saturno...
Escrevo e me prescrevo
imensas doses de fantasia
com altas poções de magia
enquanto a Noite passeia
e sonha seu sonho azul...

Escrevo... porque não durmo
e me vejo sem rumo
nos densos anéis de Saturno...
Escrevo e descrevo
o caminho secreto de Orion
e inscrevo minh'alma na Lua Minguante
e prescrevo urgentes doses de vôo
para a coração-menino
que viaja na Estela Cadente...

Escrevo... neste trânsito de Saturno
porque não durmo
e só anoiteço quando as luzes acordam
depois que as sombras adormecem
a Noite se deita... e o Mistério se cala...

Escrevo... porque não durmo
neste trânsito de Saturno...

Maria Lua



Tránsito de Saturno

Escribo... porque no duermo
en este tránsito de Saturno...
Escribo y me describo
pastora de estrellas tardías
y de esperanzas vagas
camino de Marte
pasando por Leo...

Escribo... porque no duermo
en este tránsito de Saturno...
Escribo y me inscribo
en el papel de los fantasmas insomnes
y de los rebeldes sin nombre
que dibujan versos oscuros
en la senda de las luciérnagas...

Escribo... porque no duermo
en este tránsito de Saturno...
Escribo y me prescribo
inmensas dosis de fantasía
con altas pociones de magia
mientras la Noche pasea
y sueña su sueño azul...

Escribo... porque no duermo
y me veo sin rumbo
en los densos anillos de Saturno...
Escribo y describo
el camino secreto de Orión
e inscribo mi alma en la Luna Menguante
y prescribo urgentes dosis de vuelo
para el corazón-niño
que viaja en la Estrella Fugaz...

Escribo... en este tránsito de Saturno
porque no duermo
y sólo anochezco cuando las luces despiertan
después que las sombras se adormecen
la Noche se acuesta... y el Misterio calla...

Escribo... porque no duermo
en este tránsito de Saturno...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

miércoles, 18 de enero de 2012

"Teorema" de Maria Lua

Un teorema
ou um esquema?
Eu me proponho à margem do Sol...
Acaricio
ou renuncio?
São longas as curvas da solidão...
Retenho
ou desenho?
Um sonho de algas azuis...
Continuo
ou flutuo?
Que locas magias submersas!
Abraço
ou embaço?
O corpo, fechado de espantos...
Aperto
o liberto??
O coração, peregrino de estrelas...
Um esquema
ou um poema?
Dissolvo bem diante da Lua...

Maria Lua




Teorema

¿Un teorema
o un esquema?
Yo me propongo al margen del Sol...
¿Acaricio
o renuncio?
Son largas las curvas de la soledad...
¿Conservo
o diseño?
Un sueño de algas azules...
¿Continúo
o fluctúo?
¡Qué locas magias sumergidas!
¿Abrazo
o engaño?
El cuerpo, curado de espantos...
¿Aprieto
o libero?
El corazón, peregrino de las estrellas...
¿Un esquema
o un poema?
Disuelvo exactamente frente a la Luna...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

martes, 17 de enero de 2012

"Poema inútil" de Maria Lua

Eu vos escrever agora
um pálido poema inútil...

De palavras quebradas
embaçadas
para rimar com o vazio...
De ritmo lento
sonolento
para dançar com o tédio...
De silêncios compridos
desmedidos
para cantar a indiferença...

Eu vos escrever agora
um pálido poema inútil...

Inútil e feio
- um domingo sem Sol...
Inútil e triste
- uma noite sem Lua...
Inútil e torto
- uma vida sem Sonho...

Eu vos escrever agora
um pálido poema inútil...

Mas
no centro da alma
persiste um absurdo desejo de vôo
que vai recriando asas e ecos
e vai revirando os versos opacos
do inmôvel poema inútil
e faz nascer apenas uma estrofe
com jeito de Lua
e melodia de estrelas
para semear flores e luzes
nas linhas escuras e ocas
do que deveria ser
somente
um pálido poema inútil...

Maria Lua (“De Lua e de Estrelas...”, 2005)



Poema inútil

Yo quiero escribiros ahora
un pálido poema inútil...

De palabras cansadas
empañadas
para rimar con el vacío...
De ritmo lento
soñoliento
para bailar con el tedio...
De silencios comprimidos
desmedidos
para cantar la indiferencia...

Yo quiero escribiros ahora
un pálido poema inútil...

Inútil y feo
- un domingo sin Sol...
Inútil y triste
- una noche sin Luna...
Inútil y torcido
- una vida sin Sueño...

Yo quiero escribiros ahora
un pálido poema inútil...

Pero
en el centro del alma
persiste un absurdo deseo de vuelo
que va recreando alas y ecos
y va transformando los versos oscuros
del inmóvil poema inútil
y hace nacer apenas una estrofa
con forma de Luna
y melodía de estrellas
para sembrar flores y luces
en las líneas oscuras y toscas
de lo que debería ser
solamente
un pálido poema inútil...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

domingo, 15 de enero de 2012

"Curupira" de Maria Lua

Sou a Curupira
destas montanhas de pedra...
Meu pé esquerdo me leva para a luz
o caminho do Sol das tardes de primavera
das noites estreladas da Lua Cheia...
Meu pé direito me leva para as trevas
o caminho das sombras das manhãs de outono
das noites escuras sem luar...

Sou a Curupira
destas montanhas de pedra...
Meu pé esquerdo é una lamparina
que brilha suave
iluminando o destino
para um porto seguro...
Meu pé direito é um monte de cinzas
lenha queimada
na escuridao sem rumo
à beira do abismo...

Sou a Curupira
destas montanhas de pedra...
E não sei se ando para a esquerda
-meu caminho claro
ou se vou para a direita
-a morte no abismo...

Eu sou a Curupira
destas montanhas de pedra...
E ando para os dois lados
sem sair do lugar...

*

Ao sul... meu corpo se mira,
nos caminhos da sorte,
mas minha alma é Curupira
e entorta os pés... para o norte...

Maria Lua



Curupira

Soy la Curupira
de estas montañas de piedra...
Mi pie izquierdo me lleva a la luz
el camino del Sol de las tardes de primavera
de las noches estrelladas de Luna Llena...
Mi pie derecho me lleva a las tinieblas
el camino de las sombras de las mañanas de otoño
de las noches oscuras sin Luna...

Soy la Curupira
de estas montañas de piedra...
Mi pie izquierdo es una lamparita
que brilla suavemente
iluminando el camino
a un puerto seguro...
Mi pie derecho es una montaña de ceniza
madera quemada
en la oscuridad sin rumbo
al borde del abismo...

Soy la Curupira
de estas montañas de piedra...
Y no sé si ir a la izquierda
-mi camino claro
o si ir a la derecha
-la muerte en el abismo...

Yo soy la Curupira
de estas montañas de piedra...
Y voy hacia ambos lados
sin moverme de mi sitio...

*

Al sur... mi cuerpo se divisa,
en los caminos del azar,
pero mi alma es Curupira
y gira los pies... hacia el norte...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

sábado, 14 de enero de 2012

"Loucura" de Maria Lua

Loucura é abrir os braços
na solidão das agonias intensas
às sombras sonâmbulas
de fantasmas dos desamores ausentes...
Loucura é entregar o coração
num silêncio de esperas e de espantos
aos delírios aventureiros
nos desacertos das paixões sem raízes...
Loucura é abrir os braços
e as frestas do coração em transe
e abraçar desabraços
na eternidade da solidão...
Loucura é a sensatez dos sonhos alados
a sanidade do coração apaixonado...

Loucura desvario delírio insanidade insensatez
alucinações da alma inquieta
fugitiva de rotinas leis crenças compromissos preconceitos
no alumbramento das paixões
no rumo das miragens impossíveis...
Loucura é viver intensamente
os êxtases imaginários
do coração aprisionado nas teias
do encantamento inexplicável...
Loucura é abrir os braços
a alma e o coração ao nada
à espera de um Tudo
navegar sem barco e sem remos
em busca da utopia inatingível
naufragar insone e a sós
na serenidade única do Poema...

Loucura... é abrir os meus braços
às sombras... na solidão...
para abraçar desabraços
na entrega do coração...

Maria Lua



Locura

Locura es abrir los brazos
en la soledad de las agonías intensas
a las sombras sonámbulas
de fantasmas de desamores ausentes...
Locura es entregar el corazón
en un silencio de esperas y de espantos
a los delirios aventureros
en los desatinos de las pasiones sin raíces...
Locura es abrir los brazos
y los recovecos del corazón en trance
y abrazar rechazos
en la eternidad de la soledad...
Locura es la sensatez de los sueños alados
la salud del corazón apasionado...

Locura desvario delirio insania insensatez
alucinaciones del alma inquieta
fugitiva de rutinas leyes creencias compromisos preconceptos
en el alumbramiento de las pasiones
en el curso de las ilusiones imposibles...
Locura es vivir intensamente
los éxtasis imaginários
del corazón apresado en las redes
del hechizo inexplicable...
Locura es abrir los brazos
el alma y el corazón a la nada
a la espera de un Todo
navegar sin barco y sin remos
en busca de una utopía inalcanzable
naufragar insomne y a solas
en la serenidad única del Poema...

Locura... es abrir mis brazos
a las sombras... en la soledad...
para abrazar rechazos
en la entrega del corazón...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

viernes, 13 de enero de 2012

"Conclusões sem rumo..." de Maria Lua

Pena que eu tenha que desviar meus olhos
do teu olhar proibido...
Pena que eu tenha que calar meus lábios
diante de tua mudez...
Pena que eu tenha que fechar meus braços
ante os teus desabraços...
Pena que eu tenha que represar no peito
uma paixão sem limites...
Pena que o destino tenha traçado desencontros
em nossos descaminhos...
Pena que eu amedronte a minha coragem
diante de teus receios...
Pena que eu tenha que me vestir com asas de fugas
ao ver que foges de mim...
Pena que eu encarcere tanto amor... em teias de solidão...

Verdade que percebes minha inquietude
diante de tua inquietude...
Verdade que decifras ternuras
em meus gestos contidos...
Verdade que captas mensagens secretas
em meu sorriso misterioso...
Verdade é que me ouves o coração
batendo em desespero sereno...
Verdade é que sentes meu corpo
no abrasamento insensato...
Verdae é que lês em minha alma
um vôo aprisionado no silêncio infinito...
Verdade é que sabes da pureza do amor... preso em minha solidão...

Quem sabe florescam ipês amarelos
em primaveras siderais de um verdadeiro encontro?
Quem sabe em que planeta de sonho
teus olhos mirem meus olhos
teus lábios toquem meus lábios
teus braços envolvam meus braços
teu coração pulse tão junto ao meu... num só coração encantado?
Quem sabe nossos silêncios se encontrem
e enfim... possamos eternamente morrer de amor?

Talvez mais eterno do que o Amor... seja o Silêncio...

Maria Lua



Conclusiones sin rumbo...

Lástima que tenga que apartar mis ojos
de tu mirada prohibida...
Lástima que tenga que acallar mis labios
ante tu mudez...
Lástima que tenga que cerrar mis brazos
ante tu rechazo...
Lástima que tenga que retener en el pecho
una pasión sin límite...
Lástima que el destino haya trazado desencuentros
en nuestras andanzas...
Lástima que se arredre mi coraje
ante tu recelo...
Lástima que tenga que cubrirme con alas de fugas
al ver que huyes de mí...
Lástima que encierre tanto amor... en trajes de soledad...

Cierto que percibes mi inquietud
ante tu inquietud...
Cierto que descifras ternuras
en mis gestos contenidos...
Cierto que captas mensajes secretos
en mi sonrisa misteriosa...
Cierto que escuchas mi corazón
latiendo en sereno desespero...
Cierto que sientes mi cuerpo
en abrasamiento insensato...
Cierto que lees en mi alma
un vuelo aprisionado en el silencio infinito...
Cierto que conoces la pureza del amor... preso en mi soledad...

¿Quién sabe si florecerán lapachos amarillos
en las primaveras siderales de un verdadero encuentro?
¿Quién sabe en que mundo de ensueño
tus ojos mirarán mis ojos
tus labios tocarán mis labios
tus brazos rodearán mis brazos
tu corazón tañerá junto al mío... en un solo corazón ilusionado?
¿Quién sabe si nuestros silencios se encontrarán
y al fin... moriremos eternamente de amor?

Quizás una nota más eterna que el Amor... sea el Silencio...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

jueves, 12 de enero de 2012

Autorretrato a los 44

Quizá llegó el momento de plantearme quien soy:
En mitad de la vida, lo que me ha deparado
cinco años escasos de amor afortunado,
de intenso sufrimiento bastantes más hasta hoy.

Profesión liberal por trabajo me doy,
de ingresos inestables y éxito inesperado.
Pasé por la pareja y ando desparejado,
salvo la compañía de un can con el que voy.

Algo sentimental, también soy educado,
padezco depresiones, la religiosidad
-consecuencia del miedo- así he recuperado.

Mi pasado inmediato me tiene muy marcado,
y ya que me he obligado a decir la verdad,
inseguro el presente y el futuro asustado.

Pedro Casas Serra (13-05-1992)

miércoles, 11 de enero de 2012

"Distância" de Maria Lua

Afasta teu barco
de minhas águas instáveis...
Não queiras aportar no meu silêncio
para encobrir meus sonhos...
Não tentes podar minhas asas
para limitar meus vôos...
Não me ofereças teus gestos de argila
que não vou me prender
nos teus desejos terrenos...
Eu não preciso de coisas exatas
verdadeiras
reais...
Eu não preciso
de olhos
de rostos
de braços
de mãos
de corpos...
O que eu quero
são sonhos
bem vagos
bem longos
bem claros
impossíveis
irreais...
O que eu quero
são luzes
são cores
são sons
são vôos
de longe
de muito longe
de além de todos os longes...

Maria Lua



Distancia

Aleja tu barco
de mis aguas inestables...
No quieras atracar en mi silencio
para encubrir mis sueños...
No intentes recortar mis alas
para limitar mis vuelos...
No me ofrezcas tus gestos de arcilla
que no voy a engancharme
en tus deseos terrenales...
Yo no necesito cosas exactas
verdaderas
reales...
No necesito
ojos
rostros
brazos
manos
cuerpos...
Lo que yo quiero
son sueños
muy vagos
muy largos
muy claros
imposibles
irreales...
Lo que yo quiero
son luces
colores
sonidos
voces
que lleguen de lejos
de muy lejos
de más allá de toda lejanía...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra

martes, 10 de enero de 2012

"Alma pisciana" de Maria Lua

Eu não tenho nada a ver
com limites fronteiras convicções formas exatas...
Eu... sequer sou eu mesma
sou mais um não-indivíduo
infiel aos contornos do corpo
de alma insatisfeita e viajante...
Sou ninguém para ser todo mundo
e multiplamente... piscianamente ser alguém...

Não me contenho
em braços, pernas e olhos
de um corpo pré-moldado...
Invento asas, escamas e garras
desenho sonhos, delirios e cores
para o vôo além do espaço
para o mergulho além do tempo...

Sou o oposto de mim mesma
em busca de qualquer destino
talvez astrônoma de estrelas anônimas
talvez astróloga de signos enigmáticos
talvez poeta de versos enfeitiçados
mas... sempre... ondina romântica
nas águas fugidias e nebulosas de Netuno...

Eu não tenho nada a ver
com realidades terrenas
rotinas leis dogmas compromissos palavras definitivas...
Meu subjetivismo cósmico
enlouquece as margens do mundo
e faz emergir da vertigem
um ser... ou um não-ser
nômade surrealista lunar mágico
que traz no avesso do peito
um corazão pisciano... mensageiro do Amor...

Eis, então, diante de todos os abismos
o meu contradictório... visionário
não-eu pisciano...

Maria Lua



Alma pisciana

Yo no tengo nada que ver
con límites fronteras convicciones formas exactas...
Yo... ni siquiera soy yo misma
soy más bien un no individuo
infiel a los contornos del cuerpo
de alma insatisfecha y viajera...
Soy nadie para ser todo el mundo
y pluralmente... piscianamente ser alguien...

No me contengo
en brazos, piernas y ojos
de un cuerpo prefabricado...
Invento alas, escamas y garras
dibujo sueños, delirios y colores
para volar más allá del espacio
para bucear más allá del tiempo...

Soy la opuesto a mí misma
en busca de cualquier destino
tal vez astrónoma de estrellas anonimas
tal vez astróloga de signos enigmáticos
tal vez poeta de versos hechizados
pero... siempre... ondina romántica
en las aguas huidizas y nebulosas de Neptuno...

Yo no tengo nada que ver
con realidades terrenas
rutinas leyes dogmas compromisos palabras definitivas...
Mi subjetivismo cósmico
enloquece los margenes del mundo
y hace emerger del vértigo
un ser... o un no-ser
nómada surrealista lunar mágico
que trae en el revés del pecho
un corazón pisciano... mensajero del Amor...

He aquí, entonces, ante todos los abismos
mi contradictorio... visionario
no-yo pisciano...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

lunes, 9 de enero de 2012

"Luz" de Maria Lua

Eu já andei nestes atalhos
vestida de outras peles
conheço o aroma
dos sonhos perdidos
e o sabor
dos desejos reprimidos
em cada curva
da estrada...

Eu já desfiei minhas penas
em outros trançados
conheço a renda
das quimeras rasgadas
e a teia
das ilusões aprisionadas
em cada volta
do caminho...

A Noite desenhou trevas
nos labirintos de minha alma
e eu naufraguei...
E me enredei nos penhascos
e me deixei seduzir
pelo Nada...

Venho agora vestida de asas
para refazer a jornada
e me reencontrar...
Tenho mil Luas de tempo
e o espaço de um Poema
até a Aurora...

Mestre...
Eu preciso apenas de Tua Luz...

Maria Lua



Luz

Yo ya anduve por estos atajos
vestida de otras pieles
conozco el aroma
de los sueños perdidos
y el sabor
de los deseos reprimidos
en cada curva
de la calzada...

Yo ya deshilé mis penas
en otros trenzados
conozco las puntas
de las quimeras rasgadas
y la tela
de las ilusiones encerradas
en cada vuellta
del camino...

La Noche diseñó tinieblas
en los laberintos de mi alma
y naufragué...
Y me enredé en los peñascos
y me dejé seducir
por la Nada...

Vengo ahora vestida con alas
para rehacer la jornada
y reencontrarme...
Tengo mil Lunas de tiempo
y el espacio de un Poema
hasta la Aurora...

Maestro...
Sólo necesito de Tu Luz...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

domingo, 8 de enero de 2012

"Teu silêncio" de Maria Lua

Teu silêncio
pulsa na paz do meu coração
e alonga os mares
de novos sonhos azuis...
Teu silêncio
cintila na luz do meu olhar
e me leva em viagens
de claros desejos sutis...
Teu silêncio
é um silêncio cigano
de vento vadio
ventando sem rumo
no ventre das veias...
Teu silêncio
é um silêncio monótono
de chuva cansada
chovendo sem pena
bem dentro da alma...
Teu silêncio
é um silêncio de Lua
de Lua Minguante
vagando sem pressa
nas luzes do dia...
Teu silêncio
renasce nos ecos de minha canção
e encontra o meu silêncio
para inventar
sem mistérios
este misterioso poema
silencioso...

Maria Lua



Tu silencio

Tu silencio
pulsa en la paz de mi corazón
y alarga los mares
de nuevos sueños azules...
Tu silencio
brilla en la luz de mis ojos
y me lleva en viajes
de claros deseos sutiles...
Tu silencio
es un silencio gitano
de viento callejero
que sopla sin rumbo
en el vientre de las venas...
Tu silencio
es un silencio monótono
de lluvia cansada
lloviendo sin piedad
muy dentro del alma...
Tu silencio
es un silencio de Luna
de Luna Menguante
vagando sin prisa
en las luces del día...
Tu silencio
renace en los ecos de mi canción
y encuentra mi silencio
para inventar
sin misterios
este misterioso poema
silencioso...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra

sábado, 7 de enero de 2012

"Encontro" de Maria Lua

No silêncio
deste pôr-do-sol
diante do brilho
da primera Estrela
eu tenho não me confundir
entre as sombras
para que, finalmente
Tu possas vir
ao meu encontro...

Trago apenas
estas mãos vazias
nuas de gestos...
Trago apenas
este coração de pedra
endurecido pelo cansaço...
Trago apenas
este meu vulto
sozinho
sem lágrimas...

Mas, me cobri
com as cores do crepúsculo
e tenho nos olhos
o cintilar da estrela
para que
enfim
Tu possas vir
ao meu encontro...

Maria Lua



Encuentro

En el silencio
de esta puesta de sol
frente al brillo
de la primera Estrella
no debo confundirme
entre las sombras
para que, finalmente
Tú puedas venir
a mi encuentro...

Traigo sólo
estas manos vacías
desnudas de gestos...
Traigo sólo
este corazón de piedra
endurecido por el cansancio...
Traigo sólo
mi rostro
solitario
sin lágrimas...

Pero, me cubrí
con los colores del crepúsculo
y guardo en los ojos
el resplandor de una estrella
para que
finalmente
Tú puedas venir
a mi encuentro...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra

viernes, 6 de enero de 2012

"Quando..." de Maria Lua

Quando
de mim te esqueceres
olha os teus olhos castanhos
profundos
e verás os meus olhos castanhos
profundos...

Andarás
nas distâncias do tempo
buscando teu rumo
em áridos caminhos
sem mistério
sem fantasia...
E me perderás
nas sombras da noite
-miragem
delírio-
no encalço de um raio de Lua...
Seguirás
tropeçando na saudade
opaca
e vazia...
Eu serei
o fantasma transparente
e mágico
escondido
na ponta de qualquer estrela...

Quando
de mim te esqueceres
olha bem dentro
do espelho de tua alma viajante
e verás
o reflexo de minha alma viajante...

Maria Lua


Cuando...

Cuando
me olvides
mira tus ojos castaños
profundos
y verás mis ojos castaños
profundos...

Andarás
por las lejanías del tiempo
buscando tu rumbo
en áridos caminos
sin misterio
sin fantasía...
Y me perderás
en las sombras de la noche
-espejismo
delírio-
en el rastro de un rayo de Luna...
Seguirás
tropezando en la nostalgia
opaca
y vacía...
Yo seré
fantasma transparente
y mágico
oculto
en la punta de cualquier estrella...

Cuando
me olvides
mira muy adentro
del espejo de tu alma viajera
y verás
el reflejo de mí alma viajera...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

jueves, 5 de enero de 2012

"Raízes" de Maria Lua

Flutuando sem rumo
sobre os caminhos instáveis do mundo
meus pés sozinhos
tocam de leve
nuvens esparsas e impacientes
-chuvas... chuvas... chuvas...
chuvas náufragas na dança dos rios...

Navegando sem destino
pelos mares volúveis da vida
meus olhos solitários
vêem ao longe
ondas aladas e inquietas
-sereias... sereias... sereias...
sereias misteriosas no fundo do oceano...

Nuvens e ondas
chuvas e sereias
E asas... asas... asas...
asas submersas nos versos do poema...
Tudo frágil... leve... sereno...
No entanto
meus pés anseiam um chão
-terra calida e amorosa para lançar raízes...
E meus olhos alongam os sonhos
além de todos os mares
na busca de um barco
no trilha de um porto...
de um ninho...
de um lar...
Meu coração cigano e viajante
cansou de ser Vento ou Lua
e deseja apenas ser Árvore Florida
na paz de qualquer primavera...

Maria Lua


Raíces

Flotando a la deriva
por los caminos inestables del mundo
mis pies solitarios
tocan levemente
nubes dispersas e impacientes
-lluvias... lluvias... lluvias...
lluvias náufragas en la danza de los ríos...

Navegando sin destino
por los mares volubles de la vida
mis ojos solitarios
ven a lo lejos
olas aladas e inquietas
-sirenas... sirenas... sirenas...
sirenas misteriosas en el fondo del océano...

Nubes y olas
lluvias y sirenas
Y alas... alas... alas...
alas sumergidas en los versos del poema...
Todo frágil... leve... sereno...
Sin embargo
mis pies ansían una tierra
-una tierra calida y amorosa en que echar raíces...
Y mis ojos alargan los sueños
más allá de todos los mares
en busca de un barco
camino de un puerto...
de un nido...
de un hogar...
Mi corazón gitano y viajero
se cansó de ser Viento o Luna
y desea sólo ser Árbol Florido
en la paz de cualquier primavera...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

miércoles, 4 de enero de 2012

"Ruínas" de Maria Lua

Teu sorriso de gelo
quebrou-se de repente
e escorreu em cascatas de agonia
pelos vãos da escada
no silêncio dos desejos contidos...

Teu vulto sem volta
se desfez em franjas
escombros na esquina dos espantos
poeira de pesadelos
na rota dos amores desvanecidos...

Só restou tua sombra
pálida pegada de prazer
sonâmbula em caminhos absurdos
de lentas peregrinações
atrás dos sonhos perdidos...

Maria Lua



Ruínas

Tu sonrisa de hielo
se quebró de repente
y escurrió en cascadas de agonía
por los huecos de la escalera
en el silencio de los deseos contenidos...

Tu semblante sin retorno
se deshizo en flecos
escombros en la esquina de los espantos
polvo de pesadillas
en la ruta de los amores desvanecidos...

Sólo quedó tu sombra
pálida huella de placer
sonámbula en caminos absurdos
de lentas peregrinaciones
tras los sueños perdidos...

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra)

lunes, 2 de enero de 2012

"Miragem" de Maria Lua

Teu vulto semeia saudades
na poeira das estrelas
e dos canteiros siderais
brotam esperanças...

Meu sonho se envolve
nas cores do arco-íris
e dos abismos infinitos
nascem sete desvarios...

Eras apenas uma sombra
perdida nas desventuras...
Eras apenas um navio
encalhado no porto...
Eras apenas destroços
do passado...

Por que a estrela
me traz do novo teu olhar
esquecido nas mágoas
do desencanto?
Por que o teu vulto
se mistura na paisagem
e surge em meu caminho
outra vez?
Por que o destino
insiste em brincar de novo
com o meu coração?

Por que não és
apenas uma louca miragem?

Maria Lua



Espejismo

Tu semblante siembra añoranzas
en el polvo de las estrellas
y de los parterres siderales
brotan esperanzas...

Mi sueño se envuelve
en los colores del arcoíris
y de los abismos infinitos
nacen siete desvaríos...

Eras sólo una sombra
perdida en las desventuras...
Eras sólo un navio
varado en el puerto...
Eras sólo escombros
del pasado...

¿Por qué la estrella
me trae de nuevo tu mirar
olvidado en las tristezas
del desencanto?
¿Por qué tu semblante
se mezcla en el paisaje
y surge en mi camino
otra vez?
¿Por qué el destino
insiste en volver a jugar
con mi corazón?

¿Por qué no eres
sólo un loco espejismo?

Maria Lua
(versión de Pedro Casas Serra

domingo, 1 de enero de 2012

Serás un lago

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


Mira como vienen
los peces volando
por la Navidad.

Mira que pequeños
andan caminando,
¡no van a llegar!

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


Cuando tú me miras
los ángeles ríen,
lloran los pastores
y la vaca muge,

San José descansa
y la Virgen duerme,
y las ovejitas, balan dulcemente,
allá en el pesebre.

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


¿Para qué los Reyes
te traen presentes,
si como diamantes
se ríen tus dientes?

¿Oro, incienso y mirra
con los que jugar?
¡Si tus piececitos para nada cesan
de revolotear!

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


Tu corazón no crezca,
no crezcan tus manos,
no te hagas nunca grande
entre los humanos.

Que no saben reir,
que no saben llorar,
que no recitan versos
por la Navidad.

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


Mira como estoy cantando
por no verte sufrir,
mira como estoy soñando
por no verte morir.

Que si lloran los niños
las piedras se esconden,
y las nubes se asustan:
corren y corren.

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


Ya vienen por el aire
los ayes lastimeros,
que llegan de muy lejos,
son los primeros.

¿Por qué nos entra miedo
cuando es de noche?
¿Por qué unos van a pie
y otros en coche?

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


Corre, mi niño, corre,
no pares ya,
cruza el agua del río,
la ola del mar,

vete volando
sin ver pa' atrás,
que aquí se siguen,
siguen matando.

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


¡De noche y de día
venid a bailar!
¡Cantad villancicos
por la Navidad!

¡Que ha nacido un niño!
¡Que ha nacido bien!
¡Que somos felices!
¡Que ha sido en Belén!

Serás un lago, serás un río,
serás la luna, serás la estrella y el mar perdido.


Pedro Casas Serra (01-01-2012)