jueves, 30 de junio de 2016

“MAR ABSOLUTO” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

MAR ABSOLUTO

Foi desde sempre o mar,
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído
pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,
tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.

E tenho de procurar meus tios remotos afogados.
Tenho de levar-lhes redes de rezas,
campos convertidos em velas,
barcas sobrenaturais
com peixes mensageiros
e cantos náuticos.

E fico tonta.
acordada de repente nas praias tumultuosas.
E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.
"Para adiante! Pelo mar largo!
Livrando o corpo da lição da areia!
Ao mar! - Disciplina humana para a empresa da vida!"
Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.
A solidez da terra, monótona,
parece-mos fraca ilusão.
Queremos a ilusão grande do mar,
multiplicada em suas malhas de perigo.

Queremos a sua solidão robusta,
uma solidão para todos os lados,
uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo,
e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.

O alento heróico do mar tem seu pólo secreto,
que os homens sentem, seduzidos e medrosos.

O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e arremetendo com bravura contra ninguém,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.

Não precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança.

Tem um reino de metamorfose, para experiência:
seu corpo é o seu próprio jogo,
e sua eternidade lúdica
não apenas gratuita: mas perfeita.

Baralha seus altos contrastes:
cavalo, épico, anêmona suave,
entrega-se todos, despreza ritmo
jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado,
cego, nu, dono apenas de si,
da sua terminante grandeza despojada.

Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões:
água de todas as possibilidades,
mas sem fraqueza nenhuma.

E assim como água fala-me.
Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,
e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.

Não me chama para que siga por cima dele,
nem por dentro de si:
mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.
Não me quer arrastar como meus tios outrora,
nem lentamente conduzida.
como meus avós, de serenos olhos certeiros.

Aceita-me apenas convertida em sua natureza:
plástica, fluida, disponível,
igual a ele, em constante solilóquio,
sem exigências de princípio e fim,
desprendida de terra e céu.

E eu, que viera cautelosa,
por procurar gente passada,
suspeito que me enganei,
que há outras ordens, que não foram ouvidas;
que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos,
e o mar a que me mandam não é apenas este mar.

Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,
mas outro, que se parece com ele
como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.
E entre água e estrela estudo a solidão.

E recordo minha herança de cordas e âncoras,
e encontro tudo sobre-humano.
E este mar visível levanta para mim
uma face espantosa.

E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.
E é logo uma pequena concha fervilhante,
nódoa líquida e instável,
célula azul sumindo-se
no reino de um outro mar:
ah! do Mar Absoluto.

Cecilia Meireles (In Mar Absoluto, 1945)


MAR ABSOLUTO

Desde siempre existió el mar,
Y pretéritas multitudes me empujaban
como a un barco olvidado.

Ahora recuerdo que hablaban
de la revuelta de los vientos,
de velas, de cuerdas, de hierros,
de sirenas varadas en la costa.

Y el rostro de mis abuelos viajaba
por los mares de Oriente, con sus corales y perlas,
y por los mares del Norte, duros de hielo.

De esta forma, es a mí a quien hablan,
soy yo quien debo ir.
Porque no hay nadie,
tan decidido a amar y a obedecer a sus muertos.

Y tengo que buscar a mis remotos tíos ahogados.
Tengo que llevarles redes de rezos,
campos convertidos en velas,
barcas sobrenaturales
con peces mensajeros
y cantos náuticos.

Y quedo absorta,
de repente despierta en playas tumultuosas.
Y me apuran, y no me dejan siquiera mirar la rosa de los vientos.
"¡Adelante! ¡Por el ancho mar!
¡Liberando el cuerpo del aprendizaje de la arena!
¡Al mar! - ¡Humana disciplina para la empresa de la vida!"
Mi sangre se entiende con esas voces poderosas.
La solidez de la tierra, monótona,
nos parece débil ilusión.
Queremos la gran ilusión del mar,
multiplicada en sus redes de peligro.

Queremos su soledad robusta,
una soledad por doquier,
una ausencia humana que se opone al mezquino hormiguear del mundo,
y hace sólido al tiempo, libre de las luchas de cada día.

El heróico aliento del mar tiene su polo secreto,
que los hombres sienten, seducidos y miedosos.

El mar es sólo mar, desprovisto de apegos,
muriéndose y reviviendo,
corriendo como un toro azul por su propia sombra,
y arremetiendo con bravura contra nadie,
y después siendo la pura sombra de sí mismo,
por sí mismo vencido. Es su gran ejercicio.

No precisa del destino seguro de la tierra,
él que, a la vez,
es el bailarín y su baile.

Tiene un reino de metamorfosis, para la experiencia:
su cuerpo es su propio juego,
y su eternidad lúdica
no sólo gratuita: sino perfecta.

Baraja sus grandes contrastes:
caballo, épico, anémona suave,
se entrega a todos, desprecia ritmo
jardines, estrellas, colas, antenas, ojos, pero es deshojado,
ciego, desnudo, dueño sólo de sí,
de su inequívoca grandeza despojada.

No se olvida que es agua, al desplegar sus visiones:
agua de todas las posibilidades,
pero sin flaqueza ninguna.

Y como agua me habla.
Me arroja caracolas, como recuerdos de su voz,
y estrellas erizadas, como invitación a mi destino.

No me llama para que vaya sobre él,
ni por dentro de él:
sino para que me convierta en él mismo. Es su máximo don.
No quiere arrastrarme como otrora a mis tíos,
ni lentamente conducirme
como a mis abuelos, de serenos ojos certeros.

Sólo me acepta convertida en su naturaleza:
plástica, fluida, disponible,
igual a él, en constante solilóquio,
sin exigencias de principio y fin,
desprendida de tierra y cielo.

Y yo, que llegué cautelosa,
por buscar gente remota,
sospecho que me engañé,
que hay otras órdenes, que no fueron oídas;
que otra boca hablaba: no solamente la de antiguos muertos,
y el mar al que me mandan no es sólo este mar.

No es sólo este mar el que retumba en mis vidrieras,
sino otro, que se parece a él
como se parecen las imágenes de los sueños dormidos.
Y entre agua y estrella estudio la soledad.

Y recuerdo mi herencia de cuerdas y anclas,
y encuentro todo sobrehumano.
Y este mar visible levanta para mí
una faz espantosa.

Y retráese, al decirme lo que preciso.
Y es después una pequeña concha burbujeante,
mancha líquida e inestable,
célula azul sumiéndose
en el reino de otro mar:
¡ah! del Mar Absoluto.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)



“EVELYN” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

EVELYN

Não te acabarás Evelyn

As rochas que te viram são negras, entre espumas finas
Sobre elas giram lisas gaivotas delicadas,
E ao longe as águas verdes revolvem seus jardins de vidro

Não te acabarás Evelyn

Guardei o vento que tocava
A harpa dos teus cabelos verticais,
E teus olhos estão aqui e são conchas brancas,
Docemente fechados, como se vê nas estátuas

Guardei teu lábio de coral róseo
E teus dedos de coral branco
E estás para sempre, como naquele dia
Comendo, vagarosa, fibras elásticas de crustáceos
Mirando a tarde e o silêncio
E a espuma que te orvalhava os pés

Não te acabarás Evelyn

Eu te farei aparecer entre as escarpas
Sereia, serena
E os que não te viram procurarão por ti
Que eras tão bela e nem falaste

Evelyn – disseram-me,
Apontando-te entre as barcas
E eras igual a meu destino

Evelyn – entre a água e o céu
Evelyn – entre a água e a terra
Evelyn – sozinha
Entre os homens e Deus.

Cecilia Meireles (In Mar Absoluto, 1945)


EVELYN

No te acabarás Evelyn

Las rocas que te voltean son negras, entre espumas finas
Sobre ellas giran lisas gaviotas delicadas,
Y a lo lejos las aguas verdes revuelven sus jardines de vidrio

No te acabarás Evelyn

Guardé el viento que tocaba
El arpa de tus cabellos verticales,
Y tus ojos están aquí y son conchas blancas,
Dulcemente cerrados, como se ve en las estatuas

Guardé tu labio de coral rosáceo
Y tus dedos de coral blanco
Y estás para siempre, como aquel día
Comiendo, perezosa, hebras elásticas de crustáceos
Mirando la tarde y el silencio
Y la espuma que te rocíaba los pies

No te acabarás Evelyn

Yo te haré aparecer entre las escarpas
Sirena, serena
Y los que no te dan la vuelta indagarán por ti
Que eras tan bella y ni hablaste

Evelyn – me dijeron,
Señalándote entre las barcas
Y eras igual a mi destino

Evelyn – entre el agua y el cielo
Evelyn – entre el agua y la tierra
Evelyn – sola
Entre los hombres y Dios.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

miércoles, 29 de junio de 2016

“DESENHO (2)” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

DESENHO (2)

Fui morena e magrinha como qualquer polinésia,
e comia mamão, e mirava a flor da goiaba.
E as lágrimas me espiavam, entre os tijolos e as trepadeiras,
e as teias de aranha nas minhas árvores se entrelaçavam

Isso era um lugar de sol e nuvens brancas,
onde as rolas, à tarde, soluçavam mui saudosas...
O eco, burlão, de pedra, ia saltando,
entre vastas mangueiras que choviam ruivas horas.

Os pavões caminhavam tão naturais por meu caminho,
e os pombos tão felizes se alimentavam pelas escadas,
que era desnecessário crescer, pensar, escrever poemas,
pois a vida completa e bela e terna ali já estava.

Com a chuva caía das grossas nuvens, perfumosa!
E o papagaio como ficava sonolento!
O relógio era festa de ouro; e os gatos enigmáticos
fechavam os olhos, quando queriam caçar o tempo.

Vinham morcegos, à noite, picar os sapotis maduros,
e os grandes cães ladravam como nas noites do Império.
Mariposas, jasmins, tinhorões, vaga-lumes
moravam nos jardins sussurrantes e eternos.

E minha avó cantava e cosia. Cantava
canções de mar e de arvoredo, em língua antiga.
E eu sempre acreditei que havia música em seus dedos
e palavras de amor em minha roupa escritas.

Minha vida começa num vergel colorido,
por onde as noites eram só de luar e estrelas.
Levai-me aonde quiserdes! - aprendi com as primaveras
a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.

Cecilia Meireles (in Mar Absoluto, 1945)


DISEÑO (2)

Fui morena y delgada como cualquier polinesia,
y comía papaya, y miraba la flor de la guayaba.
Y las lágrimas me espiaban, entre ladrillos y trepadoras,
y las telarañas en mis árboles se entrelazaban

Eso ocurría en un lugar de sol y nubes blancas,
donde las tórtolas, por la tarde, sollozaban muy añoradas...
El eco, engañoso, por la piedra, iba saltando,
entre vastos mangos que llovían pelirrojas horas.

Tan naturales caminaban los pavos reales por mi camino,
y tan felices se alimentaban los palomos por las escalas,
que era innecesario crecer, pensar, escribir poemas,
pues la vida completa y bella y tierna allí ya estaba.

¡Cómo caía  la lluvia de las gruesas nubes, aromática!
¡Y el papagayo cómo se quedaba soñoliento!
El reloj era una fiesta de oro; y los gatos enigmáticos
cerraban los ojos, cuando querían cazar el tiempo.

Venían murciélagos, por la noche, a picar los sapotes maduros,
y los grandes canes ladraban como en las noches del Imperio.
Mariposas, jazmines, araceas, luciérnagas
vivían en los jardines susurrantes y eternos.

Y mi abuela cantaba y cosía. Cantaba
canciones del mar y del bosque, en lengua antigua.
Y yo siempre creí que había música en sus dedos
y en mi ropa palabras de amor escritas.

Mi vida comienza en un vergel coloreado,
donde las noches eran sólo de luz de luna y estrellas.
¡Llevadme a dónde queráis! - aprendí con las primaveras
a dejarme cortar y a regresar siempre entera.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

lunes, 27 de junio de 2016

“AUTO-RETRATO” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

AUTO-RETRATO

Se me contemplo
tantas me vejo,
que não entendo
quem sou, no tempo
do pensamento.

Vou desprendendo
elos que tenho,
alças, enredos...

Formas, desenho
que tive, e esqueço!
Falas, desejo
e movimento
— a que tremendo,
vago segredo
ides, sem medo?!

Sombras conheço:
não lhes ordeno.
Como precedo
meu sonho inteiro,
e após me perco,
sem mais governo?!

Nem me lamento
nem esmoreço:
no meu silêncio
há esforço e gênio
e suave exemplo
de mais silêncio.

Não permaneço.
Cada momento
é meu e alheio.
Meu sangue deixo,
breve e surpreso,
em cada veio
semeado e isento.

Meu campo, afeito
à mão do vento,
é alto e sereno:
Amor. Desprezo.

Assim compreendo
o meu perfeito
acabamento.

Múltipla, venço
este tormento
do mundo eterno
que em mim carrego:
e, una, contemplo
o jogo inquieto
em que padeço.

E recupero
o meu alento
e assim vou sendo.

Ah, como dentro
de um prisioneiro
há espaço e jeito
para esse apego
a um deus supremo,
e o acerbo intento
do seu concerto
com a morte, o erro...

(voltas do tempo
— sabido e aceito —
do seu desterro...)

Cecilia Meireles (in Mar Absoluto, 1945)


AUTORRETRATO

Si me contemplo
tantas me veo,
que no comprendo
quién soy, en tiempo
del pensamiento.

Voy desprendiendo
cercos que tengo,
cabos, enredos...

¡Formas que tuve
y no recuerdo!
Hablas, deseo
y movimiento
— ¿por qué sufriendo,
vago secreto
marcháis, sin miedo?

Sombras comprendo:
no les ordeno.
¿Cómo precedo
mi sueño entero,
y luego pierdo,
sin más gobierno?

Ni me lamento
ni desaliento:
en mi silencio
hay brío y genio
y suave ejemplo
de más silencio.

No permanezco.
Cada momento
es mío y ajeno.
Mi sangre dejo,
breve y perplejo,
en yacimiento
lleno y exento.

Mi campo, hecho
al roce del viento,
es alto y quieto:
Amor. Desprecio.

Así comprendo
mi tan perfecto
acabamiento.

Múltiple, venzo
este tormento
del mundo eterno
que en mí acarreo
y, una, contemplo
el juego inquieto
en que padezco.

Y recupero
mayor aliento
y así voy siendo.

Ah, como dentro
de un prisionero
hay sitio y medios
para ese apego
a un dios supremo,
y acerbo intento
de su concierto
con muerte, yerro...

(vueltas del tiempo
— capto y acepto —
de su destierro...)

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

domingo, 26 de junio de 2016

“QUINTO MOTIVO DA ROSA” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

QUINTO MOTIVO DA ROSA

Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, - primavera.
Pois vivemos do que perdura,

não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado:- o prazo
do Criador na criatura...

Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.

Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.

Cecilia Meireles (In Mar Absoluto, 1945)


QUINTO MOTIVO DE LA ROSA

Antes de tu mirar, no era,
ni será después, - primavera.
Pues vivimos de lo que perdura,

no de lo que fuimos. De ese acaso
de lo que fue visto y amado:- el plazo
del Creador en la criatura...

No soy yo, sino el perfume
que en ti me conserva y resume
el resto, que las horas consumen.

Pero no llores, que en mi día,
hay más sueño y sabiduría
que en los vacíos siglos del hombre.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

“QUARTO MOTIVO DA ROSA” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

QUARTO MOTIVO DA ROSA

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecilia Meireles (in Mar Absoluto, 1945)


CUARTO MOTIVO DE LA ROSA

No te aflijas con el pétalo que vuela:
también es ser, dejar de ser así.

Rosas verás, sólo de ceniza fruncida,
muertas intactas por tu jardín.

Yo dejo aroma hasta en mis espinas,
lejos, el viento va hablando en mí.

Y por perderme, van recordándome,
por deshojarme, no tengo fin.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

sábado, 25 de junio de 2016

“TERCEIRO MOTIVO DA ROSA” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

TERCEIRO MOTIVO DA ROSA

Se Omar chegasse
esta manhã,
como veria a tua face

Omar Khayyam,
tu, que és de vinho
e de romã,
e, por orvalho e por espinho,
aço de espada e Aldebarã?

Se Omar te visse
esta manhã,
talvez sorvesse com meiguice
teu cheiro de mel e maçã.
Talvez em suas mãos morenas
te tomasse, e disesse apenas:
"É curta a vida, minha irmã".

Mas por onde anda a sombra antiga
do âmago astrônomo do Irã?

Por isso, deixo esta cantiga
- tempo de mim, asa de abelha -
na tua carne eterna e vã,
rosa vermelha!

Para que vivas, porque és linda,
e contigo respire ainda
Omar Khayyam.

Cecilia Meireles (in Mar Absoluto, 1945)


TERCER MOTIVO DE LA ROSA

Si Omar llegase
esta mañana,
¿cómo vería tu faz?

¿Omar Khayyam,
tú, que eres de vino
y de granada,
y, por rocío y por espina,
acero de espada y Aldebarán?

Si Omar te viese
esta mañana,
tal vez sorbiese con cariño
tu olor a miel y a manzana.
Tal vez en sus manos morenas
te tomara, y dijera apenas:
"Es corta la vida, hermana".

Pero ¿por dónde anda la sombra antigua
del profundo astrónomo de Irán?

Por eso, dejo esta cantiga
- tiempo de mí, ala de abeja -
en tu carne eterna y vana,
¡rosa bermeja!

Para que vivas, porque eres linda,
y contigo respire aún
Omar Khayyam.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

viernes, 24 de junio de 2016

“SEGUNDO MOTIVO DA ROSA” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

SEGUNDO MOTIVO DA ROSA

A Mário de Andrade


Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
ofereces às vespas e às abelhas.

E a quem te adora, ò surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!

Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas...

Cecilia Meireles (in Mar Absoluto, 1945)


SEGUNDO MOTIVO DE LA ROSA

A Mário de Andrade

Por más que te celebre, no me escuchas,
aunque en la forma y nácar te asemejes
a una concha sonora, arpada oreja
que graba el mar en íntimas volutas.

Depóngote en cristal, frente al espejos 
sin eco de cisternas o de grutas...
Ausencias y cegueras absolutas
brindas a las avispas, las abejas.

¡Y a quien te adora. oh sorda y silenciosa,
y ciega, bella e interminable rosa,
que en tiempo, aroma y verso te transmutas!

Sin tierra y sin estrellas brillas, presa
en mi sueño, insensible a la belleza
que lo es sin saber, pues no me escuchas...

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

miércoles, 22 de junio de 2016

“PRIMEIRO MOTIVO DA ROSA” de Cecilia Meireles (De Mar Absoluto, 1945)

PRIMEIRO MOTIVO DA ROSA

Vejo-te em seda e nácar,
e tão de orvalho trêmula,
que penso ver, efêmera,
toda a Beleza em lágrimas
por ser bela e ser frágil.

Meus olhos te ofereço:
espelho para a face
que terás, no meu verso,
quando, depois que passes,
jamais ninguém te esqueça.

Então, de seda e nácar,
toda de orvalho trêmula,
serás eterna. E efêmero
o rosto meu, nas lágrimas
do teu orvalho... E frágil.

Cecilia Meireles (in Mar Absoluto, 1945)


PRIMER MOTIVO DE LA ROSA

Te veo en seda y nácar,
y tan de rocío trémula,
que creo ver, efímera,
toda la Belleza en lágrimas
por ser bella y ser frágil.

Mis ojos te ofrezco:
espejo para la imagen
que tendrás, en mi verso,
cuando, después que pases,
jamás nadie te olvide.

Entonces, de seda y nácar,
toda de rocío trémula,
serás eterna. Y efímero
el rostro mío, en las lágrimas
de tu rocío... Y frágil.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)


PRIMER MOTIVO DE LA ROSA

Te veo en seda y nácar,
y tan de rocío trémula,
que creo ver, efímera,
toda la Belleza en lágrimas
por ser bella y ser frágil.

Mis ojos te ofrezco:
espejo para la imagen
que tendrás, en mi verso,
cuando, después que pases,
jamás nadie te olvide.

Entonces, de seda y nácar,
toda de rocío trémula,
serás eterna. Y efímero
el rostro mío, en las lágrimas
de tu rocío... Y frágil.

Cecilia Meireles
(Versión de Pedro Casas Serra)

A mis compañeros del Clínico

Vivimos unos días y algunas esperanzas.
Hasta aquí hemos venido de sitios muy dispares,
nos hemos reunido a causa del azar.
Unos hemos llegado más enteros que otros,
pero todos bastante heridos y maltrechos.
Cambiamos impresiones, desahogamos angustias,
contamos confidencias... somos entre nosotros,
unos nuestro pasado, otros nuestro presente,
otros nuestro futuro. Podemos entendernos,
no en vano hemos tenido iguales experiencias
de dolor, de hospitales y de medicación.
Empleamos mucho tiempo en forjarnos proyectos,
que quizás puedan irse al traste el primer día.

Pedro Casas Serra

martes, 21 de junio de 2016

Suena en mi oído tu voz...

Suena en mi oído tu voz
como el aire entre los pinos,
como un silbido divino
rasgando el cielo veloz.

Y esa voz es tan callada,
tan queda, tan ocultada,
que sólo la entiendo yo:
unos la toman por viento,
otros por un pensamiento.

Pedro Casas Serra

lunes, 20 de junio de 2016

La vida es sueño

Suena un piano lejano,
suena el viento, suena el mar,
suena el trigo al agitar,
suena la rueda de un carro
y el canto de la cigarra,
suena la risa de un niño
y el ladrido de un lebrel,
suena la risa estruendosa,
suena el llanto convulsivo,
suena un suspiro de amor,
suena y suena la campana
doblando por los queridos
como por los olvidados,
suena el clarín de la guerra,
suena la lluvia en la tierra,
suena el río cuando nace
y la esquila de la oveja cuando pace,
suena un zumbido de abeja,
suena un suspiro de amor,
suena al despertar el día
y suena al atardecer...

Y cuando ya nada suena,
suena en tu sueño un tañido,
un estruendo, un estampido,
que te grita enfebrecido
que toda la vida es sueño
y oír el ruido... despertar.

Pedro Casas Serra

domingo, 19 de junio de 2016

El niño pequeño

Había una vez un niño
sentado sobre un sombrero,
y era tan pequeño el niño
y era tan grande el sombrero,
que las piernas le colgaban
sin que tocaran el suelo.

Pedro Casas Serra

sábado, 18 de junio de 2016

Como la mariposa...

Como la mariposa,
así el amor también muere
cuando se acerca demasiado
a la llama que lo inspira.

Pedro Casas Serra

viernes, 17 de junio de 2016

A Escarlata, por su cumpleaños

Escarlata: Nombre de terciopelo, voz de jilguero,
bonita entre las flores, radiante de colores.
Escarlata: ¿Es tuya la mar?,
¿las flores?, ¿los pájaros?, las árboles?, ¿la ciudad?
Danos algo a todos de tu felicidad
y que este día sea tan feliz para ti como todos los demás.

Pedro Casas Serra

jueves, 16 de junio de 2016

La poesía

La poesía es un arma cargada de futuro,
pero no mata como las armas,
solo lastima los sentimientos.

Pedro Casas Serra 

miércoles, 15 de junio de 2016

Recuerdos

A veces, se cruzan
dos pájaros en el aire,
dos peces en el mar,
dos estrellas en el cielo.

Y una vez se alejan,
poco queda ya
sino la sombra de un sueño
de un día tal vez soñado.

Pedro Casas Serra

martes, 14 de junio de 2016

Platero

¡Platero!, ¡Platerillo!, ¡Platerete!,
le decía Juan Ramón con voz muy queda,
y él le respondía
rebuznando suavemente.

En su alforja derecha
llevaba flores rojas
y en la izquierda azules,
en su cabeza un sombrero
y en el cuello cascabeles.

Calló la voz de Juan Ramón,
pero resuenan aún de Platero los cascabeles.

Pedro Casas Serra

lunes, 13 de junio de 2016

Paloma que vas volando...

Paloma que vas volando,
dime tú:
¿De qué color son los campos
sobre los que vas cruzando?
¿Cómo son los campanarios
de tantos pueblos y villas?
¿Balan aún por los senderos
las cabras y los corderos?
¿Toman las nubes la forma
de niños y riachuelos?

Paloma que vas volando:
¿Vale la pena volar?
¿Aún es azul el mar?
¿Aún arrullan, en primavera,
los palomos a tu vera?
¿Aún suben risas del campo?
¿Aún cruzan el cielo estrellas
en esas noches tan bellas?

Paloma que vas volando:
¿Vale la pena volar?

Pedro Casas Serra

domingo, 12 de junio de 2016

Instante

Ha llegado el tiempo
de tumbarse al sol,
de notar su calor
y de ver pasar las nubes.
Hay un fondo de trinos
que acompaña
y pasear es dulce en compañía.
Ayer llovió,
las calles están limpias
y la hierba es más verde.
Sentado en un banco,
veo pasar personas
y las hojas que arrastra el aire.
Las parejas se tumban en la hierba,
los niños juegan,
el tiempo pasa despacio,
y,
si fuera posible,
quisieramos detenerlo para siempre.

Pedro Casas Serra

sábado, 11 de junio de 2016

El niño viejo

A veces, me salen al encuentro
personas que hace tiempo que no veo,
y las reconozco,
pero luego pienso
que por lógica no son ellas,
sino que son como eran ellas
hace veinte años.
Ante ésto me rebelo
porque para mí no he cambiado,
y sigo siendo el mismo
que lloraba de niño
si me dejaban solo.
Y cuando llegue a viejo
-o mejor, me vean como un viejo-,
seguiré siendo ese niño
que no ha entendido nada
y que se sorprende
al no ver en el espejo reflejada
su cara rubicunda y mofletuda,
y que se siente triste
porque no encuentra
a su padre, a su madre, a sus hermanas,
a sus amigos, a sus amantes...
y si los ve,
sólo son otros que se les parecen,
como otros se parecerán a él
cuando él ya no se parezca a nadie.

Pedro Casas Serra

jueves, 9 de junio de 2016

Lorca: Hoy y siempre. Homenaje a Federico García Lorca



LORCA: HOY Y SIEMPRE

Homenaje a Federico García Lorca


El próximo jueves, día 16 de junio, a las 7 de la tarde, el Grupo Metáfora ofrecerá una lectura-homenaje a Federico García Lorca. La declamación de los poemas de Lorca correrá a cargo de Leyre López y se contará con el acompañamiento a la guitarra de Juanjo Barreda. El lugar de la celebración será la Biblioteca Guinardó - Mercè Rodoreda de Barcelona (calle Camelias, 76-80). Entrada gratuita.

Dejo constancia

Es agradable tomar el sol,
tumbado en el césped,
oyendo los pájaros
y oliendo las flores,
refugiarse a la sombra de un árbol,
refrescarse en un río,
bañarse en el mar...

Dejo constancia de ello
para las generaciones venideras,
cuando el sol no se pueda tomar,
ni haya césped,
ni pájaros, ni flores, ni árboles,
y en los mares y ríos no podamos bañarnos;
encerrados en nuestras construcciones
con aire acondicionado y sol artificial,
miraremos películas futuristas
donde saldrán árboles,
flores, césped, pájaros, ríos, mares. 

Pedro Casas Serra

"LLEIDA.- El juzgado penal número 3 de Lleida ha condenado a dos hombres a 18 meses de cárcel y multa de 1.800 euros, por haber arrojado 33 litros de lejía al río Flamisell, lo que causó la muerte de 1.584 truchas. Además, como responsabilidad civil, deberán indemnizar con 10.000 euros al Ayuntamiento de La Torre de Capdella. El 27 de junio del 2006 los acusados fueron denunciados por carecer de licencia para pescar. Se dirigieron a un centro comercial y compraron siete garrafas de lejía con el fin de provocar la mayor muerte de peces. Agencias" (La Vanguardia, 20-11-2010)

Volver a empezar

No es posible volver a empezar
ni recorrer otra vez el camino,
todo ha cambiado,
y los ojos no pueden recuperar
esa mirada clara que infunde la ilusión.

Eras descubridor,
caminabas con porte seguro,
sabías lo que eras, a donde ibas,
los nombres de las cosas
y el espacio que habías recorrido.

Luego todo se hundió,
perdiste la inocencia que te hacía gustarte,
la que simplificaba todo,
ahorrándote tiempo
y permitiéndote avanzar un paso tras de otro.

Todo es ahora más difícil
en que hay que volver a bautizar las cosas:
probar de nuevo el pan,
beber el agua, ensayar la sonrisa...
para luego quizá volver a utilizarlas.

La confianza es la base de la vida
y sobre ella avanzamos,
pero, ¿qué pasa
si hay que aprender de nuevo cada cosa
y aprendernos a nosotros mismos?

Al margen, es difícil ser feliz,
pero entrar cuesta mucho
cuando has salido medio muerto.
Porque no sabes que te llama
y que debes hacer.

Pedro Casas Serra

miércoles, 8 de junio de 2016

La confusión

¡Qué molesto resulta que la gente me tome por mí!
Cierto que hay motivos de semblanza,
pero yo bien sé que soy muy diferente,
que no tengo ni punto de comparación.

¡Cuánto tiempo no pierdo en aclarar que yo no soy yo,
ese ser ruin, cobarde, miserable y mentiroso,
al que los demás confunden conmigo
tan fácilmente!

Por un instante se me ocurre
¡qué terrible sería que yo fuera yo,
y qué paciencia no habría de tener para aguantarme,
tan aburrido, soso, derrotado!

Pero enseguida salgo de mi error,
pues no deja de ser un disparate
en el que sólo pueden caer otros,
ésos que no me conocen tan bien como yo mismo.

Pedro Casas Serra

lunes, 6 de junio de 2016

La vida en poesía

Soñaba que era rey que en trono estaba,
soñaba que era flor que al sol me abría,
soñaba que era alondra que cantaba,
soñaba que era anciano que moría.

Soñaba que un tronar me despertaba,
soñaba que un cantar me adormecía,
soñaba que quien sé aún me amaba,
soñaba que también yo lo quería.

Soñaba con un río en lejanía,
soñaba con la risa que sonaba,
soñaba con el prado en que yacía.

Soñaba con la estrella que caía,
soñaba con la ninfa que lloraba,
soñaba con la vida en poesía.
Pedro Casas Serra

El ratón-león

Érase una vez un león
que a veces se sentía ratón.
En esas ocasiones corría
y se escondía,
y todo el mundo le perseguía.

Y la cuestión era,
que el ratón que se sentía león
y el león que se sentía ratón
eran un mismo y único personaje.

Un día nuestro amigo se dijo:
para ser ratón soy demasiado grande
y para ser león demasiado pequeño.

Desde entonces,
dejó de sentirse ratón o león,
pero también dejó de saber lo que era.
(Más o menos, como todos nosotros)

Pedro Casas Serra

domingo, 5 de junio de 2016

Vivir

Disfrutar del momento, ser consciente
de que quizás no se repita nunca más:
la caricia del sol, la sensación del aire golpeándote...
¡Estar vivo!, como la hierba o el insecto.

No saber el por qué ni el hasta cuándo,
pero es dulce vivir este momento
porque está aquí, sin más,
y quizás no vuelva a presentarse.

Sorber la vida lentamente
como quien bebe la cicuta,
observarla, como desde dentro de un buzón,
y no entender gran cosa,
porque en su vértigo,
ríes cuando se ha ido el sol
y lloras cuando amanece.

Lo que más vale no tiene precio
y puedes recogerlo al paso,
pero no preguntes por ello
porque a su nombre huye.
Cógelo -si lo encuentras- y ya está.

Pedro Casas Serra

sábado, 4 de junio de 2016

El regalo

Entre tantas palabras y tanta información
-tanta que nos abruma:
los muertos... por millares,
la muerte... detallada al extremo,
la vida... siempre jóven, como de anuncio-,
seguimos la estela de un cometa
que no vimos pasar
y que quizás no vuelva.

Pero la muerte no es distinta
porque no esté filmada
ni el amado lo es menos
porque sea viejo;
la muerte y el amor nos acompañan
como las piernas,
necesitamos de ambas para caminar.

Nacemos ricos de vida
que al vivir vamos gastando,
y la muerte no es
sino la constatación de que no nos queda nada;
hay quien gasta con mesura
y hay quien dilapida,
pero no hay más vida
que la que nos han regalado el primer día.


Pedro Casas Serra

viernes, 3 de junio de 2016

El circo

Esta noche he soñado con ella,
he soñado que abría la caravana
y me llamaba,
que su voz, inconfundible,
alegre me decía:
"Pedro, he venido
porque temía que te olvidaras
de las entradas
que compré para el circo."
He soñado que me despertaba
y que abría los ojos incrédulo,
que parpadeando la miraba
y que estaba allí,
con su expresión juguetona,
y que sus pezones oscuros me apuntaban.
Entonces, he soñado que soñaba...
y me he puesto a llorar.
Pedro Casas Serra

jueves, 2 de junio de 2016

Ámame

Si entenderme no puedo,
si a mi mismo me cuesta comprenderme,
¿cómo voy a decirte que te quiero
y esperar que me creas?

Si el agua, que acoge nuestros cuerpos y nos lava,
calmando nuestro ardor,
es la misma que hunde nuestros barcos;
si el aire, que aleja nuestras voces y nos seca,
oreando nuestros cuerpos,
es el mismo que abate nuestras casas;
si el fuego, que alumbra nuestros rostros y nos lame,
echando nuestro frío,
es el mismo que incendia nuestros bosques...

¿por qué yo,
que acojo, alejo y alumbro tus desdichas,
no puedo ser el mismo
que hunda, abata o incendie tus venturas?
Pedro Casas Serra

miércoles, 1 de junio de 2016

Tu voz

Durmiendo
bajo la sombra
de parasoles de nudoso radio
-por almohada,
desvaídos aromas de hojas muertas-,
soñando el eco siseante
del agua del arroyo
y un agitar de plumas
en cascada fugaz bajo las nubes,

de pronto, oigo tu voz:
lenta, redonda, mansamente
alzándose en el centro de mi espera;
tu voz,
que surge desbordada
de amor a lo pequeño y a lo escueto:
dulce canción a mi oído,
radiante marcha que levanta el día.

Pedro Casas Serra