viernes, 31 de mayo de 2013

"Cementiri de Sinera. Poema VI", de Salvador Espriu

VI

Les aranyes filaven
palaus de rei,
estances que empresonen
passos d'hivern.
Les barques de Sinera
no surten més,
perquè els camins de l'aigua
són fets malbé.
El sol no pot estendre,
per als ulls cecs,
domassos de les festes 
damunt el gel.
Als rials ja no sona
cap cascavell.
Avanço per rengleres
de xiprers.

Salvador Espriu


VI

Las arañas hilaban
palacios de rey,
estancias que aprisionan
pasos de invierno.
Las barcas de Sinera
no salen más,
los caminos del agua
se estropearon.
No puede el sol colgar,
para ojos ciegos,
damascos de las fiestas
sobre el hielo.
No suenan en las rieras
los cascabeles.
Avanzo por hileras
de cipreses.

Salvador Espriu
(Versión de Pedro Casas Serra)

miércoles, 29 de mayo de 2013

"Cementiri de Sinera. Poema V", de Salvador Espriu

V

Pels portals de Sinera
passo captant engrunes
de vells records. Ressona
als carrers en silenci
el feble prec inútil.
Cap caritat no em llesca
el pa que jo menjava,
el temps perdut. M'esperen
tan sols, per fer-me almoina,
fidels xiprers verdíssims.

Salvador Espriu


V

Por los portales de Sinera
paso mendigando migajas
de viejos recuerdos. Resuena
en las calles en silencio
el débil ruego inútil.
Ninguna caridad me rebana
el pan que yo comía,
el tiempo perdido. Me esperan
tan sólo, para darme limosna,
fieles cipreses verdísimos.

Salvador Espriu
(Versión de Pedro Casas Serra)

"Cementiri de Sinera. Poema IV", de Salvador Espriu


IV

Els meus ulls ja no saben
sinó contemplar dies
i sols perduts. Com sento
rodar velles tartanes
pels rials de Sinera!
Al meu record arriben
olors de mar vetllada
per clars estius. Perdura
en els meus dits la rosa
que vaig collir. I als llavis,
oratge, foc, paraules
esdevingudes cendra.

Salvador Espriu


IV

Mis ojos ya no saben
sino comtemplar días
y soles perdidos. ¡Cómo oigo
rodar viejas tartanas
por las torrenteras de Sinera!
A mi recuerdo acuden
olores de mar velada
por claros estíos. Perdura
en mis dedos la rosa
que cogí. Y en los labios,
viento, fuego, palabras
convertidas ceniza.

Salvador Espriu
(Versión de Pedro Casas Serra)

martes, 28 de mayo de 2013

"Cementiri de Sinera. Poema III", de Salvador Espriu


III

Sense cap nom ni símbol,
ran dels xiprers, dessota
un poc de pols sorrenca,
endurida de pluges.
O que l'oratge escampi
la cendra per les barques
i els solcs dibuixadíssims
i la llum de Sinera.
Claror d'abril, de pàtria
que mor amb mi, quan miro
els anys i el pas: viatge
al llarg de lents crepuscles.

Salvador Espriu


III

Sin ningún nombre ni símbolo,
junto a los cipreses, bajo
un poco de polvo arenoso,
endurecido por las lluvias.
O que el viento esparza
la ceniza por las barcas
y los surcos marcadísimos
y la luz de Sinera.
Claridad de abril, de patria
que muere conmigo, cuando miro
los años y su paso: viaje
a lo largo de lentos crepúsculos.

Salvador Espriu
(Versión de Pedro Casas Serra)

domingo, 26 de mayo de 2013

"Cementiri de Sinera. Poema II", de Salvador Espriu


II

Quina petita pàtria
encercla el cementiri!
Aquesta mar, Sinera,
turons de pins i vinya,
pols de rials. No estimo
res més, excepte l'ombra
viatgera d'un núvol.
El lent record dels dies
que sòn passats per sempre.

Salvador Espriu


II

¡Qué pequeña patria
rodea el cementerio!
Esta mar, Sinera,
colinas de pinos y de viña,
polvo de torrenteras. No quiero
nada más, salvo la sombra
viajera de una nube.
El lento recuerdo de los días
pasados para siempre.

Salvador Espriu
(Versión de Pedro Casas Serra)

sábado, 25 de mayo de 2013

"Cementiri de Sinera. Poema I" de Salvador Espriu


SALVADOR ESPRIU: "CEMENTIRI DE SINERA"


........................."I totes les filles de cançó seran humiliades."
........................."Y todas las hijas de canción serán humilladas"
...........................................................Eclesiastés 12:4.


A Friede L. Marorell,
que va estimar també Sinera.
que quiso también a Sinera.



I

Pels rials baixa el carro
del sol, des de carenes
de fonollars i vinyes
que jo sempre recordo.
Passejaré per l'ordre
de verds xiprers immòbils
damunt la mar en calma.

Salvador Espriu


I

Por las torrenteras baja el carro
del sol, desde divisorias
de hinojales y viñas
que yo siempre recuerdo.
Pasearé por el orden
de verdes cipreses inmóviles
sobre la mar en calma.

Salvador Espriu
(Versión de Pedro Casas Serra)

jueves, 16 de mayo de 2013

"Reticências" de Álvaro de Campos


Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre…
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir…
Produtos românticos, nós todos…
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura…
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida…
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema…
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra…

Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)



Reticencias

Organizar la vida, poner estanterías en la voluntad y la acción.
Quiero hacer ésto ahora, como siempre quise, con el mismo resultado,
¡Pero qué bien tener el claro propósito, firme sólo en la claridad, de hacer alguna cosa!
Voy a hacer las maletas para el Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
Y mañana seré igual que anteayer - un anteayer que es siempre…
Sonrío del conocimiento anticipado de la ninguna-cosa que seré.
Al menos sonrío; sonreír siempre es algo…
Productos románticos, todos nosotros...
Y si no fuéramos productos románticos, a lo mejor no seríamos nada.
Así se hace la literatura…
¡Dios santo, así se hace hasta la vida!
Los otros también son románticos,
Los otros también no hacen nada, y son ricos y pobres,
Los otros también emplean la vida en observar para organizar las maletas,
Los otros también duermen al lado de los papeles medio compuestos,
Los otros también son yo.
Vendedora ambulante cantando tu pregón como un himno inconsciente,
Ruedecilla dentada en el mecanismo de la economía política,
Madre, presente o futura, de muertos en el descascararse de los Imperios,
Tu voz me llega como una llamada de ninguna parte, como el silencio de la vida…
Ojo de los papeles que estoy pensando en tirar por la ventana,
Por donde no vi la vendedora que oí por ella,
Y mi sonrisa, que aún continúa, incluye una crítica metafísica.
Abjuré de todos los dioses delante de un escritorio por ordenar,
Miré de frente todos los destinos por la distracción de oír pregonando,
Y mi cansancio es un barco viejo que se pudre en una playa desierta,
Y con esta imagen de cualquiera otro poeta cierro el escritorio y el poema...
Como un dios, no ordené ni una cosa ni otra…

Álvaro de Campos, en "Poemas" (heterónimo Fernando Pessoa)
(Versión de Pedro Casas Serra)

miércoles, 15 de mayo de 2013

"Insônia" de Álvaro de Campos


Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos…
Tantos versos…
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê…
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto… Vem…
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta…
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada…
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.

Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)


Insomnio


No duermo, ni espero dormir.
Ni en la muerte espero dormir.
Me espera un insomnio de la dimensión de los astros,
Y un inútil bostezo de la longitud del mundo.
No duermo; no puedo leer cuando me despierto por la noche,
No puedo escribir cuando me despierto por la noche,
No puedo pensar cuando me despierto por la noche —
¡Dios mío, ni siquiera puedo soñar cuando me despierto por la noche!
¡Ah, el ópio de ser cualquier otra persona!
No duermo, yazgo, cadáver despierto, sintiendo,
Y mi sentimiento es un pensamiento vacío.
Pasan por mí, revueltas, cosas que me sucedieron
— Todas aquellas cosas de las que me arrepiento y me culpo;
Pasan por mí, revueltas, cosas que no me sucedieron
— Todas aquellas cosas de las que me arrepiento y me culpo;
Pasan por mí, revueltas, cosas que no son nada,
Y hasta de esas cosas me arrepiento, me culpo, y no duermo.
No tengo fuerzas para tener energía para encender un cigarrillo.
Miro la pared de enfrente de la habitación como si fuera el universo.
Fuera hay el silencio de toda esa cosa.
Un gran silencio desconcertante en cualquier otro momento,
En cualquier otro momento en que yo lo pudiera sentir.
Estoy escribiendo versos realmente simpáticos —
Versos para decir que no tengo nada que decir,
Versos para insistir en decir eso,
Versos, versos, versos, versos, versos…
Tantos versos…
¡Y toda la verdad, y toda la vida fuera de ellos y de mí!
Tengo sueño, no duermo, siento y no sé en que sentir.
Soy una sensación sin la persona correspondiente,
Una abstracción de autoconciencia sin de qué,
Salvo el necesario para sentir conciencia,
Salvo — sé allá salvo el qué…
No duermo. No duermo. No duermo.
¡Qué gran sueño en la cabeza y sobre los ojos y en el alma!
¡Qué gran sueño en todo excepto en poder dormir!
Oh madrugada, tardas tanto… Ven…
Ven, inútilmente,
A traerme otro día como éste, para ser seguido por otra noche como ésta…
Ven a traerme la alegría de esa esperanza triste,
Porque siempre eres alegre, y siempre traes esperanza,
Según la vieja literatura de las sensaciones.
Ven, trae la esperanza, ven, trae la esperanza.
Mi cansancio entra por el interior del colchón.
Me duele la espalda de no estar acostado de lado.
Si estuviera acostado de lado me dolería la espalda de estar acostado de lado.
¡Ven, madrugada, llega!
¿Qué hora es? No sé.
No tengo energía para extender una mano hasta el reloj,
No tengo energía para nada, para nada más…
Que para estos versos, escritos el día siguiente.
Sí, escritos el día siguiente.
Todos los versos se escriben siempre el día siguiente.
Noche absoluta, sosiego absoluto, allá fuera.
Paz en toda la Naturaleza.
La Humanidad reposa y olvida sus penas.
Exactamente.
La Humanidad olvida sus alegrías y sus penas.
Suele decirse esto.
La Humanidad olvida, sí, la Humanidad olvida,
Incluso despierta la Humanidad olvida.
Exactamente. Pero no duermo.

Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)
(Versión de Pedro Casas Serra)


martes, 14 de mayo de 2013

"m’he estimat molt la vida..." de Vicent Andrés Estellés


m’he estimat molt la vida...

m’he estimat molt la vida,
no com a plenitud, cosa total,
sinó, posem per cas, com m’agrada la taula,
ara un pessic d’aquesta salsa,
oh, i aquest ravenet, aquell all tendre,
què dieu d’aquest lluç,
és sorprenent el fet d’una cirera.

m’agrada així la vida,
aquest got d’aigua,
una jove que passa pel carrer
aquest verd
....................aquest pètal
........................................ allò
una parella que s’agafa les mans i es mira els ulls,

i tot amb el seu nom petit sempre en minúscula,
com aquest passarell,
................................. aquell melic,
com la primera dent d’un infant.

Vicent Andrés Estellés (De "Horacianes")



he amado mucho la vida...

he amado mucho la vida,
no como plenitud, algo total,
sino, por ejemplo, como me gusta la mesa,
ahora un pellizco de esta salsa,
oh, y este rabanito, aquel ajo tierno,
que decís de esta merluza,
es sorprendente la existencia de una cereza.

me gusta así la vida,
este vaso de agua,
una joven que pasa por la calle
este verde
............... este pétalo
................................. aquello
una pareja que se coge las manos y se mira a los ojos,

y todo con su nombre pequeño siempre en minúscula,
como este jilguero
........................... aquel ombligo,
como el primer diente de un niño.

Vicent Andrés Estellés (De "Horacianes")
(versión de Pedro Casas Serra)


lunes, 13 de mayo de 2013

Primavera


¡Aquellas flores
bordeando caminos
de primavera!

Día azul.
En el cielo de mayo
sólo una nube.

Unas voces
-patio de primavera-
entre los árboles.

Álamo temblón.
De lejos, sus hojas
mariposas verdes.

Banco en el parque.
Junto al hombre dormido
sus zapatos.

Cae la tarde,
las hojas del ciruelo
las mece el aire

Pedro Casas (03-05-2013)

jueves, 2 de mayo de 2013

Quisiera ser la sangre que camina...


Quisiera ser la sangre que camina
por tu cuerpo, corriente que te llena,
savia que derrapando en cada esquina,
se desparrama alegre por tu vena.

Quisiera ser la piel que se ilumina
al mirarme, paraguas de tu pena,
cobijo de tu carne, cual pechina
blanca en la noche y a la luz morena.

Quisiera ser, en fin, tu cobertura,
tu relleno de miel, leche en tu cazo,
el licor que te inunde, estrecho abrazo,

rodearte de amores tu cintura,
de mazapán henchirte hasta los huesos,
para después comerte todo a besos.

Pedro Casas Serra (28-04-2013)